Estou eu só, no meio da multidão.
É muito ruim estar entre pessoas, e não se sentir acompanhado.
Mas, ela me viu, e também me enxergou.
Não sentiu compaixão, e sim consideração.
Sabe isto me deixa animado:
Entre mil, um em mim reparou.
Que nem objeto de decoração:
Muitos passam e nem vêem;
outros vêem, e não enxergam.
Eles não se interessam,
o foco de visão está apenas em frente.
O talento da observação, hoje é visto como um dom.
Faltou a prática da percepção.
Viver, mendigando atenção;
é como olhar pro céu, pedindo tempestade.
Busco sim, consolação;
mas nem por isso peço piedade.
Ser como uma sombra, que ali existe, mas ninguém nota.
Ou como o amanhecer, que todo dia persiste, mas ninguém aprecia a aurora.
Meu grito desumano não é um som oco de um ensandecido,
mas sim o clamor abafado sendo transparecido.
Ela olhou, e me viu.
Há alguém que se identifica comigo neste Brasil.
Eu vi e apreciei:
A dona que me encantou, e meus olhos nela eu pousei.
Eu grito, e quero ser ouvido.
Não me ignore, posso ficar enfurecido.
Se não há lugar pra mim neste mundo,
tomo á força o que é teu, e torno meu isso tudo.
Mas, pra ela eu existi.
Então com ela vou insistir
em ser feliz, compartilhar os momentos,
as alegrias e os lamentos;
até chegar o dia, em que morreremos.
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