sexta-feira, 11 de abril de 2014

Objeto de decoração

A soberba do homem o abaterá, mas a honra sustentará o humilde de espírito. (Provérbios 29:23)

 

Estou eu só, no meio da multidão.

É muito ruim estar entre pessoas, e não se sentir acompanhado.

Mas, ela me viu, e também me enxergou.

Não sentiu compaixão, e sim consideração.

Sabe isto me deixa animado:

Entre mil, um em mim reparou.


Que nem objeto de decoração:

Muitos passam e nem vêem;

outros vêem, e não enxergam.

Eles não se interessam,

o foco de visão está apenas em frente.

O talento da observação, hoje é visto como um dom.

Faltou a prática da percepção.

Viver, mendigando atenção;

é como olhar pro céu, pedindo tempestade.

Busco sim, consolação;

mas nem por isso peço piedade.

Ser como uma sombra, que ali existe, mas ninguém nota.

Ou como o amanhecer, que todo dia persiste, mas ninguém aprecia a aurora.

Meu grito desumano não é um som oco de um ensandecido,

mas sim o clamor abafado sendo transparecido.

Ela olhou, e me viu.

Há alguém que se identifica comigo neste Brasil.

Eu vi e apreciei:

A dona que me encantou, e meus olhos nela eu pousei.

 

Eu grito, e quero ser ouvido.

Não me ignore, posso ficar enfurecido.

Se não há lugar pra mim neste mundo,

tomo á força o que é teu, e torno meu isso tudo.

 

Mas, pra ela eu existi.

Então com ela vou insistir

em ser feliz, compartilhar os momentos,

as alegrias e os lamentos;

até chegar o dia, em que morreremos.

 

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