segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Se há inverno em minha vida

O que segue a justiça e a beneficência achará a vida, a justiça e a honra. (Provérbios 21:21)
Numa tarde fria, cujo céu se mantém cinza, em cujo solo a garoa é bem-vinda; as gotas descem como neve a temperar o solo, e enquanto fico á contemplá-las, encontro-me só. A beleza disto é o desenho representado: Um poeta solitário contemplando a cortina esbranquiçada; onde o sol e as estrelas se escondem, para renascerem no porvir; ou em um amanhecer possam ressurgir. A brisa não leva só gotas, leva também lágrimas de quem chora; Talvez leve as por mim derramadas, nesta abrupta hora; O frio traz consigo seus ares de melancolia, espalhadas por todos os lugares por onde eu ia. e por todas as paisagens que eu vira. Talvez não seja o ambiente, talvez seja eu a fonte disso tudo; a origem de toda esta contaminação que assola o mundo, o mundo que eu vejo, e que me cerca; se iguala á mim como estas pedras, que assim ficam, até serem levadas, para onde talvez não queiram ir...á mil léguas. As marcas do arrependimento são feridas que nunca se cicatrizam; dóem na alma em corpo intacto; fazendo-o adoecer e suar prantos, ó fonte de lágrimas que suja o prado. Antes pudessem levar, de pouco á pouco, as manchas de meu passado... Que este triste inverno, seja ao menos como um amigo terno; escute meu clamor, leve embora esta dor; se não com palavras, ao menos como depositário de minhas mágoas; que se esvaem assim nas lágrimas derramadas, ou nesta poesia agora declamada.

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